''Rio velho e sujo/Tens de seguir correndo noite adentro''
Nos anos 60, os versos escritos por Ray Davies para ''Waterloo Sunset'', um dos maiores hits do grupo de rock The Kinks, até poderiam ser levados ao pé da letra. Porém, idade à parte, o Tâmisa hoje está longe de ser a versão londrina do Tietê. Se no século 19 a poluição de suas águas foi responsável por décadas de surto de cólera e a morte de milhares de pessoas, o mais famoso rio do Reino Unido hoje é o mais limpo do mundo a cruzar uma grande cidade. Mas também funciona como via de transporte e mesmo playground na capital.
Ressuscitado, depois de em 1957 ter sua morte biológica decretada por cientistas, o Tâmisa abriga um festival de vida, incluindo 120 espécies de peixes e dezenas de pássaros, além de ser considerado seguro para a prática de esportes aquáticos. Algo bem diferente dos tempos em que não apenas dejetos industriais, mas a rede de esgotos de Londres desembocava livremente em suas águas. De tão poluídas, elas exalavam um cheiro insuportável que, em 1858 obrigou o Parlamento a suspender atividades. A partir dos anos 60, porém, sucessivos governos levaram a cabo um programa rigoroso de despoluição calcado em investimentos maciços em saneamento e em leis reprimindo a poluição.
Ao contrário dos tempos em que vítimas de naufrágios se afogavam mais por conta da intoxicação que das correntes traiçoeiras, o Tâmisa hoje oferece opções tanto para um passeio diferente quanto para deslocamentos livres do estresse que marcar o trânsito da capital ou o horário do rush no metrô. Usar a via fluvial vem se tornando uma alternativa crescente para moradores da capital, ainda que os números sejam tímidos em comparação com o metrô — de acordo com as mais recentes estimativas, três milhões de pessoas usam anualmente o Tâmisa para suas jornadas, o mesmo número que por dia pega os trens subterrâneos.
O rio tem apelo turístico maior, porém,e os cruzeiros são dos mais variados. Há desde a opção clássica, que percorre cartões postais e pontos históricos da capital, como a Torre de Londres (com direito a guias bem-humorados), a programas mais sofisticados como passeios de três dias pelo Alto Tâmisa (afinal, trata-se do segundo maior rio britânico, com 346km de extensão. Podem-se também encontrar programas mais alternativos como jantares flutuantes e mesmo discotecas itinerantes. Um ponto de partida é o citycruises.com, mas vale pesquisar preços e opções.
Passeios de 30 minutos tem ingressos de ida e volta por R$ 33 para adultos e há uma série de píeres pode se embarcar, do London Eye à Torre de Londres. Para jornadas mais práticas, a opção são os serviços regulares ligando regiões normalmente de fluxo intenso por vias normais, como é o caso de Embankement, bem no centro da cidade, e a ''ilha das finanças'' de Canary Wharf. Pelo Tâmisa, chega-se em apenas 16 minutos, fugindo de Waterloo, a sempre concorrida estação de metrô. O Rio é também uma via prática para chegar à 02 Arena, o gigantesco centro de entretenimento em North Greenwich cujas atrações costumam provocar engarrafamentos na estação de metrô de mesmo nome.
Uma viagem de ida e volta sai por R$ 36 para adultos e R$ 18 para crianças. Mais caro, que o metrô, só que sem aperto e com a paisagem como bônus. Para rotas e horários, vale consultar o site oficial de transportes de Londres, o tfl.gov.uk.
Os mais aventureiros usam o Tâmisa para se divertir, em esportes que vão do remo ao jet-ski. Uma opção popular são os passeios de caiaque guiados, dos quais mesmo pessoas sem experiência em canoagem podem participar. Jornadas pelo centro de Londres, com duração de até quatro horas, têm preços começando em R$ 99. Para mais informações: kayakinglondon.com.
Ainda que um pouco desatualizados, os versos de Davies ainda guardam algo que não mudou: vistos da Ponte de Waterloo, o pôr-do-sol e o Tâmisa formam um lindo casal.

