O ano de 2012 marca uma ocasião histórica para a monarquia britânica — O Jubileu de Diamante da rainha Elizabeth II. Mas a comemoração do sexagésimo aniversário de trono é também uma oportunidade para conhecer um pouco mais sobre a tradição monárquica do Reino Unido, que tem origens milenares e conta com uma senhora longevidade (Elizabeth II, por exemplo, é descendente direta do primeiro rei inglês, Alfredo, o Grande, que esteve no trono no final do século 9). Percorrer um roteiro histórico da realeza é muito mais do que fotografar figurinhas carimbadas como o Palácio de Buckingham. História, mistério e surpresa fazem parte de uma trilha que pouco tem de convencional.
Hastings
Palco da seminal batalha de 1066, em que as forças de William, o Conquistador derrotaram as tropas do rei saxão Harold II e selaram a conquista normanda da Inglaterra, Hastings é repleta de história — por sinal, a vitória de William foi a última invasão estrangeira bem-sucedida das Ilhas Britânicas. Além de sítios arqueológicos que datam também dos séculos de ocupação romana, a cidade conta com as ruínas do primeiro castelo a ser construído na Inglaterra, nos idos de 1070, e com um centro antigo salpicado de galerias de arte e antiquários. A viagem de trem, partindo de London Victoria, leva cerca de duas horas e há passagens por menos de R$ 40 para adultos e por apenas R$ 3 para crianças.
Palácio de Hampton Court
Sete monarcas britânicos viveram ao nababesco palácio nos arredores de Londres, mas nenhum tão conhecido quanto o icônico Henrique VIII. Foi sob suas ordens que, em apenas 10 anos, o equivalente a R$ 54 milhões em valores de hoje foram gastos na expansão de Hampton Court, entre 1530 e 1540. O local, que em tempos medievais era uma granja de propriedade de uma ordem de cavaleiros, transformou-se num dos mais sofisticados refúgios reais da Europa. Hampton Court só deixou de ser residência oficial da monarquia em 1737, mas até hoje permanece um local de fascínio. Seja pelos luxuosos salões ou pelo imenso jardim que inclui o mais antigo labirinto de cercas-vivas do Reino Unido, com origens no século 18. O palácio fica a cerca de meia hora de trem de London Waterloo.
Castelo de Edimburgo
Para quem acha confusa a estrutura política do Reino Unido, imagine os tempos anteriores à fusão entre Inglaterra e Escócia, em 1707, quando cada qual tinha sua família real. O imponente Edinburgh Castle, prostrado no alto de uma colina no centro da capital escocesa, é uma relíquia. Destruído e reconstruído ao longo de séculos de escaramuças entre ingleses e escoceses, o castelo é ponto de parada obrigatório para quem visita Edimburgo. Um dos pontos mais interessantes é a coleção de artefatos como a Pedra do Destino, sobre a qual desde o século 11 monarcas dos dois países sentaram-se durante a coroação. Levada para Londres em 1296 por Eduardo I, a pedra foi devolvida aos escoceses por Elizabeth II em 1996.
Abadia de Glastonbury
Debates sobre sua existência à parte, o rei Arthur desperta um fascínio maior do que qualquer outro monarca da história britânica, um fator fundamental para atrair turistas para a cidade de Glastonbury, a 170km de Londres: nas ruínas da Abadia de Glastonbury está a suposta tumba do legendário líder do século 6. Curiosamente, a descoberta do local de repouso do eterno do rei, em 1191, ocorreu num momento em que os números de visitantes à abadia diminuíam. Apesar da distância de Londres, é uma viagem que pode ser feita num dia e diversas operadoras de turismo na capital oferecem serviços de ônibus.
Castelo de Windsor
Ao contrário do que muita gente pensa, foi o castelo que inspirou o nome da atual dinastia britânica: em 1917, quando a então Casa de Saxe-Coburg viu sua associação com a realeza alemã despertar sentimentos negativos junto à população britânica por causa da Primeira Guerra Mundial, o então rei George V, avô de Elizabeth II, rebatizou a dinastia com o nome da cidade e do castelo usado desde o século 12 por monarcas. É a residência de fim de semana da atual rainha, ainda que tenha partes abertas ao público, até porque abriga uma substancial parte da coleção real de arte — de porcelanas do século 18 a pinturas de grandes mestres. Windsor fica a 50 minutos de trem de London Waterloo.
