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Na trilha do ouro olímpico – Cardiff

No último dia 24 de abril, as seleções brasileiras masculina e feminina de futebol, bem como os milhões de treinadores espalhados pelos quatro cantos do país, ficaram sabendo quais serão os primeiros adversários na disputa pelo ouro nas Olimpíadas de Londres. Também foi divulgado o caminho a ser percorrido até a finalíssima na grama sagrada de Wembley — os Jogos de 2012 terão as partidas de futebol distribuídas por várias cidades britânicas, não apenas a capital. Mas se não é possível dizer se os times conseguirão medalhas, já há ao menso uma chance dourada de fugir da rota mais viajada e conhecer outras regiões do Reino Unido.

PRIMEIRA PARADA: Cardiff

Conhecido ao redor do mundo muito mais por sua associação com a família real — o herdeiro ao trono britânico tradicionalmente recebe o título de príncipe local -, Gales é um dos países que compõem o Reino Unido, com direito a uma rica herança cultural expressada não somente pelo fato de ser bilíngue (sinais públicos, por exemplo, são escritos em inglês e galês e é bastante comum escutar conversas, mesmo entre os mais jovens, no idioma original). Embora sob domínio inglês desde o século 13, Gales conta com uma forte identidade nacional, sobretudo por ter muito mais em comum com a cultura celta do que a saxônica.

Cardiff, a capital galesa e décima maior cidade do Reino Unido, é o ponto de partida para uma jornada de descobrimento de uma rotina bem diferente de cidades inglesas, apesar das similaridades cotidianas. Com uma história de quase 2 mil anos, Cardiff tem desde ruínas romanas a castelos. Mas figura entre os mais populares destinos britânicos também por conta de aspectos modernos: conta com uma prestigiada universidade, uma senhora casa de espetáculos (o Millennium Centre) e um estádio (também chamado Millennium) que durante quase uma década esteve no centro da vida esportiva britânica por conta da longa obra de reconstrução de Wembley.

Na verdade, as Olimpíadas de 2012 começarão em Gales e em Cardiff: no dia 25 de julho, 48 horas antes da Cerimônia de Abertura no East End londrino, as seleções femininas de Grã-Bretanha e Nova Zelândia darão o pontapé inicial no futebol e nos Jogos. No mesmo dia, o Brasil medirá forças com Camarões. A grande atração, porém, mesmo para o público britânico, será a passagem da seleção masculina, com Neymar & cia, que no dia 26 enfrentará o Egito. Curiosamente, os galeses são muito mais apaixonados pelo jogo de rúgbi — são os atuais campeões do Torneio das Seis Nações, a principal competição europeia, e os locais adoram quando visitantes mencionam a supremacia sobre o vizinho inglês no esporte da bola oval.

Uma visita a Cardiff tem que começar pelo Museu Histórico Nacional, e não apenas por ser um dos principais museus ao ar livre da Europa. A área contém pelo menos 40 prédios, originais ou reconstruídos,  representando a história e a tradição galesas -  incluindo um castelo do século 16.  A entrada é franca e o museu está no percurso de uma série de linhas de ônibus partindo do centro, como a linha 5 dos famosos ônibus turísticos (preços a partir de R$ 30 para um tíquete adulto 24 horas).

Outro castelo famoso é o Cardiff Castle. Local que serviu de base para guarnições romanas e mesmo uma fortaleza normanda, hoje oferece visitas guiadas pelos salões suntuosos e um senhor gramado, ideal para piqueniques. A entrada custa cerca de R$33 para adultos e R$ 27 para crianças.

A Baía de Cardiff é outro ponto crucial para qualquer roteiro. Não apenas por abrigar o Millenium Centre, o centro de artes cênicas com sua arrojada fachada que saúda os visitantes, como por também ter uma série de lojas e restaurantes, além de hotéis. Trata-se de um local  imerso em história: foi de lá que, em 1910, partiu a notoriamente malsucedida expedição do capitão Scott, cuja dramática jornada ao Polo Sul terminou com morte e frustração (ele perdeu a corrida para o explorador norueguês Roald Amundsen).

Para os interessados em compras, o destino tem mesmo de ser as galerias comerciais Victoria e Edwardian. Trata-se de um verdadeiro labirinto de lojas, com diversos entrepostos para a compra de souvenires — invariavelmente, as lembranças giram em torno de símbolos locais como o carneiro (a pecuária ovina é uma das principais atividades econômicas de Gales) e o dragão vermelho estampado na bandeira do país.

Carne de carneiro é obviamente presença constante na culinária galesa. Porém, pratos como o Tatws Pum Munud (cozido de batatas, legumes e bacon) e o laverbread (pasta de algas conhecida como o caviar galês) também são famosos exemplos da cozinha do país. Para uma experiência temática que inclui garçons vestidos em roupas típicas tradicionais, a pedida é o Sosban Fach (pequeno caldeirão em galês, também o nome de uma tradicional canção folclórica), em Cardiff Bay. O restaurante é conhecido por sua sopa de cordeiro e vegetais e uma lasanha de caranguejos. Fica em 20 James Street, com preços variando entre R$ 36 e R$ 50 por pratos principais.

Já o Millenium Stadium fica a apenas cinco minutos de caminhada da estação ferroviária de Glasgow Central. O estádio oferece visitas, de segunda a domingo, entre 10h e 16h, com exceção de dias de jogos e do período olímpico. Os ingressos custam cerca de R$ 25 para adultos e R$ 15 para crianças e adolescentes.

Partindo de Londres, é fácil chegar a Cardiff. A viagem de trem entre Paddington e Cardiff Central leva cerca de duas horas, com passagens de ida e volta custando a partir de R$ 100. De ônibus, a viagem sai bem mais barata (menos de R$ 25, se comprada com antecedência), mas pode levar o dobro do tempo.

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